Época de Major. Assistir os melhores times do mundo se enfrentarem cara a cara em partidas BO1 dão brecha para muitas realizações interessantes (Deus abençoe o PGL Kraków 2017 Major!). Isso, combinado com algumas jogatinas, sozinho e entre amigos, me fizeram dissertar sobre esse incrível pensamento destrutivo dessa nacionalidade tão controversa. E os resultados não foram nada bons.
O que faz o rebaixamento de alguém do mesmo grupo ou da mesma equipe ser mais valioso do que a vitória? Qual o prazer em provar que alguém é menor que você que consegue se impor sobre o desejo de alcançar o sucesso? Isso me deixa extremamente irritado. É um dos vários costumes negativos do cenário brasileiro, e isso se aplica a qualquer coisa. Veja, por exemplo, o meio em que mais me misturo: o cenário de eSports.
Por que o cenário brasileiro é muito menos desenvolvido do que o cenário europeu? Pois a mentalidade do europeu não é provar o seu valor como o melhor da equipe, acima de todos os outros. Não. Seu objetivo é a vitória, não se importando com alguém da equipe que talvez teve uma partida ruim, ou alguma rodada em que perderam por erros bobos, sempre procurando culpar alguém além de si mesmo. A primeira coisa que vem na cabeça de um europeu para dizer quando uma rodada é perdida não é "Porra, fulano, cagou no pau! Não tem jeito mesmo, você é um peso morto...", e sim planejar a próxima rodada, consolar o companheiro de equipe que não obteve êxito em sua jogada. Isso desenvolve o cenário de uma maneira indescritível, pois forma jogadores de nível extremamente alto no quesito de trabalhar em equipe.
Com isso dito, vamos falar um pouco do jogador tradicional brasileiro. Se eu precisasse resumi-lo em uma única palavra seria "destrutivo". Qual o objetivo do brasileiro? Vitória? Não, o objetivo do jogador tradicional brasileiro é se mostrar melhor e superior do que todos de sua equipe. Um exemplo disso é uma rodada perdida por algum erro humano de algum dos outros companheiros de equipe. O jogador tradicional brasileiro é o primeiro a apontar a culpa e opinar destrutivamente sobre todos os movimentos desse mesmo jogador que cometeu o erro. Qual a consequência disso? O Brasil encuba jogadores com extremo potencial hábil e desempenho coletivo, ou seja, atuação em equipe extremamente ridícula.
Isso não se aplica apenas ao cenário dos esportes eletrônicos. Inclusive, é a área de menor importância em que isso acontece, pois, majoritariamente, isso ocorre também no meio profissional. Novamente, o profissional brasileiro não pensa no coletivo como um grupo de pessoas trabalhando juntas (saliento novamente: JUNTAS) para um fim em comum, que é o sucesso. Ele pensa nesse coletivo como uma competição interna para ver quem é melhor em cada função. Imagine um grupo onde todas as pessoas pensam assim. O que devia ser um ambiente harmônico e eficiente acaba se tornando uma disputa pela glória. A concorrência deixa de ser de grupo para grupo e acaba adquirindo outro nível, que é internamente no grupo.
Isso é ridículo. É mais um pensamento que atrasa o brasileiro e o coloca em posições vergonhosas quando comparados a qualquer país europeu. O "jeitinho brasileiro" se estende monstruosamente para várias áreas de atuação do brasileiro. Esse jeitinho deixou de ser o modo gambiarra do brasileiro de fazer as coisas. Agora é todo um esteriótipo para o brasileiro mediano, alguém destrutivo e tóxico.
Talvez a primeira mentalidade a ser mudada seja esse pensamento totalmente destrutivo. Quem sabe cheguemos a um nível mais elevado se soubermos trabalhar em equipe, priorizar o sucesso, buscar sempre a vitória e, em vez de rebaixar o companheiro que erra, aumentando as chances de errar novamente, consolar e criticar construtivamente, pois é isso que importa.
Temos a capacidade de elevar o cenário nacional às nuvens, mas não a iniciativa.
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